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Adoção, tema de reflexo em seminário.

Sob o olhar dos demais integrantes da mesa, secretário Fabiano Pereira fala sobre a importância de encarar o assunto de frente - Foto: Paola Marcon

Um depoimento comovente de um filho adotivo marcou a abertura do Seminário pelo Dia da Adoção, ocorrido, na noite de quarta-feira, no plenarinho da Assembleia Legislativa.
A atividade foi organizada pela Secretaria da Justiça e dos Direitos Humanos em parceria com a Associação Filhos Adotivos do Brasil.

Presidente da associação, o comerciante Ricardo Fischer, 44 anos, contou sua própria história, marcada por anos de angústia em busca da família biológica. “Tive uma infância difícil: sofri bulling e discriminação”, relatou ele, que foi abandonado com um ano de idade em um orfanato e aos dois foi adotado por “uma família maravilhosa”, segundo ele. Depois de uma longa procura, o comerciante encontrou a mãe biológica na cidade de Viamão, Região Metropolitana. Na época, ele tinha 24 anos. A história de vida de Fischer inspirou a criação da Associação Filhos Adotivos do Brasil, que hoje ajuda filhos adotados a encontrarem seus pais. Depois do depoimento do comerciante, foi a vez da antropóloga Claudia Fonseca usar o microfone. A professora falou dos avanços da Lei da Adoção no Brasil e de experiências na área em outros países, além de situações vivenciadas por meio de suas pesquisas. Claudia defendeu a importância de o filho adotivo conhecer suas origens, apesar de reconhecer as dificuldades para terem acesso a dados. “È importante regulamentar os procedimentos para facilitar a procura”, completou a antropóloga.

A angústia vivida por pais e filhos adotados foi o assunto abordado pela psicopedagoga Ana Luiza Fischer. Ela disse que muitos pais temem a herança genética dos filhos adotados e o preconceito. Em relação às crianças e adolescentes adotados, Ana defendeu um assessoramento psicológico para que elas possam lidar com a situação.

Já o advogado da associação, Rodimar Silva, destacou a necessidade de um curso de adoção para os pais, pedindo o apoio do Poder Judiciário para viabilizá-lo.

O secretário Fabiano, a quem os representantes da Associação Filhos Adotivos do Brasil agradeceram pela oportunidade de discutir o tema e divulgar o trabalho da entidade, encerrou as manifestações da mesa. "Fiquei muito sensibilizado com o tema desde que recebemos o contato da associação. É um assunto que tem de ser encarado de frente.”E prosseguiu: “Temos de aproveitar o momento especial que estamos vivendo na área dos direitos, em todos os níveis de governo, para que a legislação em relação aos filhos adotivos avance, como tem ocorrido em outros países”.

Depois da fala do secretário, o assunto foi aberto para autoridades e outras pessoas presentes ao evento. Juiz da 2ª Vara da Infância e da Juventude, José Antônio Daltoé Cezar relatou que hoje não há quase bebês para serem adotados, exceto os filhos de viciados no crack. “Tornou-se minoria (bebês). Precisamos tratar dos casos de crianças mais velhas”, afirmou o juiz. Hoje, segundo dados do Conselho Nacional da Justiça (CNJ), adolescentes de 11 a 17 anos são maioria no país na fila de adoção.

Para finalizar, a coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Infância e Juventude do Ministério Público, Maria Regina Fay Azambuja, destacou que o seminário permitiu conhecer o trabalho da Associação dos Filhos Adotivos do Brasil.



A atividade foi organizada pela Secretaria da Justiça e dos Direitos Humanos em parceria com a Associação Filhos Adotivos do Brasil dia 25 de Maio de 2011.

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