| |
|
Clínica
Esperança, um abrigo para crianças com HIV
|
O
projeto “Filhos Adotivos do Brasil” esteve visitando
a Clínica Esperança, situada em Porto Alegre,
que realiza um trabalho de assistência a crianças
órfãos portadoras do vírus HIV.
O abrigo foi fundado no dia 1º de maio de 1997, através
da missionária sueca da igreja Assembléia
de Deus, Mary Taranger, que ficou no Brasil por muito tempo.
A mesma já tinha fundado o orfanato “Lar dos
meninos e das meninas”, além de trabalhar na
distribuição de alimentos, fazendo sopas nas
vilas.
Por volta dos 70 anos, Mary sentiu um chamado de Deus para
abrir um lar para crianças portadoras do vírus
HIV.
Ela foi procurada por uma senhora que estava em face terminal
da doença, e que tinha uma criancinha.
|
|
Sabendo que morreria, visto que na época o tratamento
era mais difícil, a senhora preocupou-se em encontrar
um lugar para deixar sua filha. No entanto, por discriminação,
os orfanatos não aceitaram a menina.
Mary ficou com seu coração ardendo, sentia
a necessidade de ajudar.
|
|
|
Dessa
maneira começou a buscar ajuda de um e outro. Mas nem
pastores e amigos se colocaram a disposição da
causa.
Foi no seu aniversário, quando completaria 80 anos, que
seu amigo da Suécia, o presidente da ONG Erikshjolpen,
O tio Eurico, perguntou o que ela desejaria receber de presente.
Sem esperar, respondeu pedindo ajuda financeira para abrir um
lar. Ele falou que ajudaria. Então Mary lembrou-se de
uma casa, onde hoje se localiza o abrigo, que na época
era um depósito e começou a reformá-lo.
Através da ajuda do tio Eurico e das pessoas que começaram
a visitar a Clínica Esperança, formou-se uma rede
de amigos. Segundo a diretora do abrigo, Loide Linhares Colisse,
não há verbas do governo para a realização
do trabalho.
|
Atualmente
a clínica cuida de 21 crianças, entre quatro
meses e 12 anos. Há 20 funcionários, cuidadores,
técnica de enfermagem, enfermeira, cozinheiras, auxiliares
administrativas, motorista.
Segundo a diretora, existem quatro pessoas que trabalham
voluntariamente duas vezes por semana permanentemente com
as crianças, um jardineiro, uma senhora que ajuda
na lavanderia com as roupas, assistente social e uma psicóloga.
“Com nós não há problema para
a adoção, é complicado para os pais
que querem adotar. Uma criança que tem HIV é
fácil para ser adotado, é rápido.”,
relata a diretora. Explica ainda que a criança que
trás o vírus da mãe, se alimenta bem,
engorda sem nenhum problema, provavelmente irá negativar.
Já uma criança com problemas respiratórios,
pneumonia, dor de ouvido é bem mais difícil
negativar.
|
Mesmo
ganhando toda a alimentação, tendo um grupo
de pessoas ajudando temporiaramente e senhoras fazendo jantares
todo o mês para arrecadar fundos, a maior dificuldade
encontrada no abrigo é a financeira. “O problema
é manter a folha de pagamento”, afirma a diretora.
Quando questionada sobre o preconceito, Loide diz: “Existe,
mas é maquiado. Na escola as crinças eram
consideras difíceis de trabalhar, e por mais que
estivessem bem arrumadas sofriam discriminação”.
Márcia Cecília Jara de Matos, é técnica
em enfermagem e trabalha no abrigo a oito meses, cuidando
dos meninos e dando auxilio aos bebês. Considera seu
trabalho gratificante e diz sentir-se com a alma lavada.
“Eu amo eles, moram no meu coração.
São mais do que filhos.”
A psicopedagoga Elis Regina Silveira diz que há uma
carência afetiva muito grande. “É necessário
mostrar o quanto são importantes, fazer com que se
superem a cada dia”. Considera as crianças
acima de oito anos mais difíceis de trabalhar, devido
aos conflitos e ao comportamento.
Para a diretora do projeto, a amizade com as crianças
é indispensável.
|
|
“Nós
tratamos eles como filhos, na hora do carinho, eles recebem
carinho, quando é preciso brigar para corrigir, nós
brigamos”.
“A maior gratificação é ver a
mudança de vida dessas crianças”. Nesses
10 anos de trabalho, segundo Loide há muitas coisas
que marcam. Mas ela lembra de um menino (Everton), que era
completamente anormal, chorava o dia inteiro, precisava
ser medicado frequentemente, era agressivo. “Hoje
ele é um guri normal, feliz, tem vontade de viver,
aprender, de sair desse mundo”.
|
 |
Como
ajudar: Qualquer ajuda é bem vinda. O que mais se tem
necessidade é na área do lazer. Peças de
teatro, doações de jogos e brinquedos pedagógicos.
Quem quiser visitar o abrigo, brincar, conversar e dar um colinho
para as crianças, os horários disponíveis
são quarta-feira, sábado, domingo, das 3:00 as
5:00 horas da tarde.
Informações : www.filhosadotivosdobrasil.com.br
ou fones : 51.34934647 e 51.84155225
“As crianças têm uma maneira singela de ser,
transmitindo e sendo encanto.”
|
O
que mais gosta de fazer na Clínica Esperança?
• Jogar futebol, basquete, estudar e brincar. (Fábio)
• Jogar futebol, estudar. (Yuri)
• Jogar futebol, andar de balanço. (Alessandro)
• Jogar futebol e brincar com as tias. (Mateus)
• Brincar, estudar, subir em árvores. (Alexandre)
• Brincar de escola, boneca, casinha. (Alessandra)
• Estudar, brincar de pega-pega. (Kysis)
|
O
que você pede para Jesus antes de dormir?
• Que ele cuide de mim e uma roupa do Inter. (Fábio)
• Peço para ter uma família, ganhar uma
roupa do Grêmio e ser jogador da escolinha do Grêmio.
(Yuri)
• Bola e roupa do Grêmio. (Alessandro)
• Óculos, relógio e para ser jogador. (Mateus)
• Para eu ser surfista. (Alexandre)
• Que ele me guarde e cuide de mim. (Alessandra)
• Um caderno de capa dura da Hello-Kitty. (Kysis)
|
Daiane
Benso - Estudante de Jornalismo
|
|
|