"A
criança pode suportar todas as verdades"
Uma
atitude muito importante para se preservar a saúde
mental de uma criança é a de dizer claramente
se ela foi adotada ou não. Dados clínicos
nos mostram que a "mentira" dentro do contexto
familiar, principalmente quando esta encontra-se atuando
sobre a negação das origens de uma criança,
atua como um fator que leva a situações patológicas.
A
criança adotada se desenvolveu no útero de
sua mãe biológica, na maioria das vezes em
condições impróprias e sentindo-se
rejeitada (sabe-se que o feto capta os estados emocionais
da mãe e reage a eles). Os pais adotivos não
podem negar esta "pré-história"
do bebê, até porque ele mesmo viveu isso. É
claro que tais informações nunca chegarão
a mente em forma de lembrança, mas isso não
quer dizer que elas não estejam armazenadas em algum
lugar deste indivíduo.
O
fato da "pré-história" do bebê
ter sido "difícil" não significa
que por isso ele será uma criança mais infeliz
ou pior do que outra. A criança só terá
prejuízos se a sua história gestacional não
puder ser integrada a sua história pessoal.
Por
que não se deve mentir?
Porque
uma mentira nunca terá o status de verdade. Quando
se mente sempre paira o "fantasma da verdade",
sempre existem tropeços, enganos e um certo mal-estar
familiar (por mais que os próprios pais muitas vezes
não percebam isso). É é dentro desse
contexto que se formam freqüentemente distúrbios
psicológicos na infância.
Ao
adotar uma criança você não precisa
tornar público esse ato, mas é muito importante
que ele seja dito em âmbito privado, isto é,
na família.
Como
e quando contar ao seu filho sobre a adoção?
Em
primeiro lugar, gostaria de ressaltar que cada criança
é diferente da outra, assim como cada família.
Desta forma, não há como obter uma resposta
padrão para essa pergunta.
É
importante que os próprios pais possam ir sentindo
o momento ideal. Uma grande dica para tal é tentar
introduzir o assunto a partir de perguntas formuladas pela
própria criança. Então, no momento
em que a criança começar a formular perguntas
do tipo: "Mamãe / papai ! como eu nasci?"
ela estará dando um sinal de que vai ter respaldo
de seu mundo interno para "compreender" o que
lhe for explicado.
Sobre
este "compreender" acho muito importante enfatizar
que a linguagem e a forma de contar sobre a adoção
para uma criança deve ser apropriada para a sua idade
para que realmente haja compreensão e para que esta
não seja traumática (quando a criança
recebe uma informação em quantidade e qualidade
incompatível para a sua idade).
A
criança apreende o mundo de uma forma diferente do
adulto, até porque seu potencial cognitivo ainda
não foi totalmente desenvolvido. Portanto, procure
falar com o seu filho da maneira mais próxima da
sua compreensão, mostrando-lhe claramente o quanto
você desejou e esperou a sua vinda ao mundo. Afinal,
a adoção é um grande ato de amor. Não
será bonito e saudável contar para o seu filho
sobre essa história?